{"id":229,"date":"2013-07-05T14:33:37","date_gmt":"2013-07-05T14:33:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.missaoavante.org.br\/web\/?p=229"},"modified":"2013-07-05T14:59:11","modified_gmt":"2013-07-05T14:59:11","slug":"avivamento","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.missaoavante.org.br\/web\/index.php\/arquivos\/229","title":{"rendered":"Avivamento"},"content":{"rendered":"<p><strong>1) Avivamento &#8211; O que \u00e9?<\/strong><\/p>\n<p>Reavivamento \u00e9 o sopro de Deus para tirar a poeira que foi acumulada no decurso dos anos, no per\u00edodo de tempo compreendido entre o \u00faltimo avivamento e o momento atual. N\u00e3o importa a espessura nem o tipo de poeira. O reavivamento \u00e9 uma obra de Deus, peri\u00f3dica e poderosa. Ele recoloca a igreja em seu primeiro amor, produz convic\u00e7\u00e3o e confiss\u00e3o de pecado, santifica e movimenta a igreja. Desperta o gosto e a disciplina de pr\u00e1ticas devocionais particulares, como a leitura e medita\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus, a ora\u00e7\u00e3o, o desabafo, a auto-sondagem, a confiss\u00e3o espont\u00e2nea de fraquezas e fracassos, o sentimento de car\u00eancia de Deus e a vigil\u00e2ncia pessoal. O reavivamento leva a igreja a redescobrir a pessoa e a obra do Esp\u00edrito para dele se servir outra vez, como nos dias dos ap\u00f3stolos.<\/p>\n<p>Mesmo tendo um teor m\u00edstico muito acentuado, reavivamento \u00e9 muito mais que isso. \u00c9 o motor de coisas novas, de realiza\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias e de certa dura\u00e7\u00e3o, na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o religiosa, na \u00e1rea de evangeliza\u00e7\u00e3o e miss\u00f5es, na \u00e1rea de socorro ao sofrimento humano. For\u00e7osamente, o reavivamento sempre gera preocupa\u00e7\u00e3o com os n\u00e3o-salvos pela gra\u00e7a de Deus e com os moralmente marginalizados. A hist\u00f3ria dos reavivamentos mostra que este sopro do Esp\u00edrito induz os crentes a fazerem obras de caridade e a levantar a sua voz contra a injusti\u00e7a social, seja ela qual for e custe o pre\u00e7o que custar.<\/p>\n<p>(Entrevistas com Ashbel Green Simonton, p. 107.)<\/p>\n<p>Outra defini\u00e7\u00e3o de reavivamento aparece no mais recente livro de John Stott:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cReavivamento \u00e9 uma visita\u00e7\u00e3o inteiramente sobrenatural do Esp\u00edrito soberano de Deus, pela qual uma comunidade inteira toma consci\u00eancia de sua santa presen\u00e7a e \u00e9 surpreendida por ela. Os inconversos se convencem do pecado, arrependem-se e clamam a Deus por miseric\u00f3rdia, geralmente em n\u00fameros enormes e sem qualquer interven\u00e7\u00e3o humana. Os desviados s\u00e3o restaurados. Os indecisos s\u00e3o revigorados. E todo o povo de Deus, inundado de um profundo senso de majestade divina, manifesta em suas vidas o multifacetado fruto do Esp\u00edrito, dedicando-se \u00e0s boas obras.\u201d (A Verdade do Evangelho, p. 119.)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>2) Avivamento com P\u00e3es Asmos<\/strong><\/p>\n<p>Um avivamento com p\u00e3es asmos \u00e9 muito diferente. Ele exclui o velho fermento da maldade e da mal\u00edcia. O velho fermento \u00e9 o fermento do mal, da vida pregressa, da cultura pecaminosa da qual somos arrancados e para a qual morremos. O fermento da maldade e da mal\u00edcia \u00e9 o fermento da carne, do mundo e do diabo, que penetra na comunidade dos crentes e provoca mau testemunho, esc\u00e2ndalo e contradi\u00e7\u00f5es entre a palavra e a conduta.<\/p>\n<p>Avivamento sempre foi aquecimento do fervor religioso, no sentido de santidade, pureza, ren\u00fancia (<em>\u201cn\u00e3o eu, mas Cristo\u201d<\/em>), vit\u00f3ria sobre o pecado, amor entre os irm\u00e3os, devo\u00e7\u00e3o pessoal, vontade de evangelizar, consagra\u00e7\u00e3o ao Senhor. Era avivamento <em>\u201ccom os asmos da sinceridade e da verdade\u201d<\/em> e n\u00e3o <em>\u201ccom o fermento da maldade e da mal\u00edcia\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>A \u00eanfase principal hoje \u00e9 outra. N\u00e3o se fala em santidade de vida, mas em curas, sinais e prod\u00edgios, espet\u00e1culos, sucesso e prosperidade. O que poderia ser, dentro da soberania de Deus, mera conseq\u00fc\u00eancia do avivamento, hoje \u00e9 o que se busca em primeiro plano. A mudan\u00e7a \u00e9 sutil, perigosa e deformante. \u00c9 de influ\u00eancia mundana. Tem rela\u00e7\u00e3o com a crise social e econ\u00f4mica. Assemelha-se demais com a situa\u00e7\u00e3o da igreja de Corinto na \u00e9poca de Paulo, onde certos procedimentos pentecostais conviviam com o fermento da maldade e da mal\u00edcia. Este fermente \u00e9 que provocava as cis\u00f5es, a soberba, a imoralidade, o esc\u00e2ndalo, a bebedice, a incredulidade (alguns n\u00e3o criam na ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos)e a carnalidade cr\u00f4nica dos cor\u00edntios,<em> \u201cchamados para serem santos\u201d<\/em> (1 Co 1.2). \u00c9 a eles que Paulo prop\u00f5e:<em> \u201cCelebremos a festa (a P\u00e1scoa), n\u00e3o com o velho fermento, nem com o fermento da maldade e da mal\u00edcia; e, sim, com os asmos da sinceridade e da verdade\u201d<\/em> (1 Co 5.8).<\/p>\n<p>Quem est\u00e1 disposto a buscar um avivamento com p\u00e3es asmos? Este \u00e9 mais dif\u00edcil, mais demorado e exige mais ora\u00e7\u00e3o e muito mais nega\u00e7\u00e3o de si pr\u00f3prio. Em compensa\u00e7\u00e3o, \u00e9 mais profundo, mais demorado e muito mais avassalador.<\/p>\n<p><strong>3) Avivamento sob o ponto de vista hist\u00f3rico<\/strong><\/p>\n<p>1. Sob o ponto de vista hist\u00f3rico, reavivamento \u00e9 um per\u00edodo de tempo em que o Esp\u00edrito Santo de Deus atua maci\u00e7amente no meio de um grupo de crentes de um determinado lugar, levando-o a buscar a Deus de forma intensa, deixando de lado a rotina, a frieza e a in\u00e9rcia, e usando-o de maneira fora do comum para o engrandecimento do seu reino. O avivamento em si pode durar pouco tempo, mas os efeitos que ele produz podem durar muito tempo.<\/p>\n<p>2. Em geral, o reavivamento ocorre depois de um per\u00edodo de decad\u00eancia moral e espiritual, depois da perda gradual e total do primeiro amor (Ap 2.4), depois das concess\u00f5es feitas perigosamente \u00e0 doutrina e \u00e0 \u00e9tica, depois de um vazio que se torna insuport\u00e1vel, depois de uma liturgia fria e repetitiva, depois de um p\u00falpito seco e n\u00e3o cristoc\u00eantrico e tamb\u00e9m depois de certas trag\u00e9dias de \u00e2mbito nacional ou internacional, provocadas por crises econ\u00f4micas, epidemias, guerras e flagelos naturais.<\/p>\n<p>3. Durante o reavivamento, a concep\u00e7\u00e3o de um Deus absolutamente santo gera convic\u00e7\u00e3o de pecado, arrependimento e mudan\u00e7as. As Escrituras recuperam a sua autoridade de \u00fanica regra de f\u00e9 e pr\u00e1tica. Volta-se \u00e0 salva\u00e7\u00e3o pela gra\u00e7a mediante a f\u00e9 e passa-se a acreditar outra vez que fora de Jesus n\u00e3o h\u00e1 salva\u00e7\u00e3o. Jesus Cristo torna a ocupar o lugar central na igreja e nos cora\u00e7\u00f5es dos fi\u00e9is. Os crentes se enchem de \u00e2nimo e de alegria.<\/p>\n<p>4. Porque a consci\u00eancia social e a consci\u00eancia mission\u00e1ria tomam conta dos crentes, surgem novas e muitas voca\u00e7\u00f5es para o minist\u00e9rio pastoral, para os campos mission\u00e1rios e para a filantropia. Como resultado pr\u00e1tico, abrem-se novos semin\u00e1rios, novas ag\u00eancias mission\u00e1rias, novas escolas evang\u00e9licas, novos minist\u00e9rios e novas obras assistenciais, como orfanatos, creches e hospitais. As igrejas crescem em quantidade e em qualidade.<\/p>\n<p>5. Embora o reavivamento conduza ao evangelismo, este \u00e9 uma coisa e aquele \u00e9 outra. \u201cO evangelismo \u00e9 boa nova e o reavivamento \u00e9 vida nova. No evangelismo \u00e9 o homem que trabalha para Deus, no reavivamento \u00e9 Deus que trabalha de forma soberana em favor do homem&#8230; Toda a vida espiritual, seja no indiv\u00edduo ou na comunidade, na igreja ou na na\u00e7\u00e3o, \u00e9 obra do Esp\u00edrito Santo. Nenhum homem pode programar um reavivamento, porque s\u00f3 Deus \u00e9 doador de vida.\u201d (F. Carlton Booth, em \u201cDicion\u00e1rio de Teologia\u201d, p. 76.)<\/p>\n<p>6. O m\u00e1ximo que o elemento humano pode fazer \u00e9 orar por um reavivamento, como fez o salmista: <em>\u201cPorventura, n\u00e3o tornar\u00e1s a vivificar-nos, para que em ti se regozije o teu povo?\u201d<\/em> (Sl 85.6). Ou como o profeta: <em>\u201cAviva a tua obra, \u00f3 Senhor, no decorrer dos anos, e, no decurso dos anos, faze-a conhecida\u201d<\/em> (Hc 3.2). Outra provid\u00eancia poss\u00edvel, j\u00e1 sob a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, \u00e9 a passagem s\u00fabita ou gradativa da igreja de uma esfera carnal para a esfera espiritual, em que se colhe n\u00e3o as obras da carne, mas o fruto do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>7. Os reavivamentos mais famosos da hist\u00f3ria da igreja aconteceram na Europa e na Am\u00e9rica do Norte. Entre eles est\u00e3o a Reforma Protestante (a partir de Jo\u00e3o Wycliffe, Jo\u00e3o Hus, Martinho Lutero, Jo\u00e3o Calvino e Jo\u00e3o Knox), o Reavivamento Mor\u00e1vio (com o conde Nicolau von Zinzendorf), o Grande Reavivamento do S\u00e9culo 18 (com Jo\u00e3o e Carlos Wesley e Jorge Whitefield), a s\u00e9rie de reavivamentos ocorridos nas col\u00f4nias americanas entre 1725 e 1760 (a partir de Teodoro Fredinghuysen e J\u00f4natas Edwards) e os reavivamentos do s\u00e9culo 19 (com Charles Finney e D. L. Moody).<\/p>\n<p>8. Na esteira dos reavivamentos religiosos, h\u00e1 sempre alguma coisa esp\u00faria, que empobrece e desvirtua o movimento, embora n\u00e3o o impe\u00e7a nem o danifique por completo. O historiador Welliston Walker lembra que, no clima emocional do in\u00edcio do s\u00e9culo 19, insuflado por despertamentos religiosos, surgiram tamb\u00e9m \u201cv\u00e1rios movimentos que representam significativos afastamentos ou distor\u00e7\u00f5es do modelo protestante evang\u00e9lico\u201d (\u201cHist\u00f3ria da Igreja Crist\u00e3\u201d, vol. 2, p. 279). Alguns deles s\u00f3 se mostraram perigosos v\u00e1rios anos depois. Hoje s\u00e3o grupos fortes e numerosos espalhados pela face da terra, como as Testemunhas de Jeov\u00e1 e os M\u00f3rmons. Quando esteve no Brasil, em 1952, o tamb\u00e9m historiador e avivalista J. Edwin Orr declarou que para cada grande reavivamento da hist\u00f3ria havia uma rea\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria, desde Jo\u00e3o Wycliffe (1329-1384) at\u00e9 Billy Graham.<\/p>\n<p><strong>4) Riscos de distor\u00e7\u00e3o em tempos de avivamento<\/strong><\/p>\n<p>A ora\u00e7\u00e3o de Habacuque \u2014 <em>\u201cAviva a tua obra, \u00f3 Senhor, no decorrer dos anos, e, no decurso dos anos, faze-a conhecida\u201d<\/em> (Hc 3.2) \u2014 \u00e9 bem oportuna e sempre bem-vinda.<\/p>\n<p>O cansa\u00e7o, o desgaste, a rotina, o secularismo, o esquecimento, os desvios tanto de comportamento como de doutrina, o ego\u00edsmo, a descren\u00e7a, o esfriamento do amor e do entusiasmo, a desobedi\u00eancia, o orgulho, o sectarismo e coisas semelhantes deixam a igreja em situa\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria. E a brasa quase apagada exige um novo e vigoroso sopro do Esp\u00edrito Santo. Ent\u00e3o \u00e9 preciso pedir que Deus visite constantemente a sua vinha e restaure o seu vigor, como suplica o salmista (Sl 80.14-19). O Velho Testamento e a hist\u00f3ria eclesi\u00e1stica apresentam um sem-n\u00famero de fortalecimentos poderosos e quase repentinos da vinha por meio da atua\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, sempre h\u00e1 riscos em tempos de reavivamento. J\u00e1 que estes problemas existem e s\u00e3o uma verdade hist\u00f3rica, n\u00e3o \u00e9 demais tomar-se a necess\u00e1ria precau\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se deve fazer restri\u00e7\u00f5es ao Esp\u00edrito, mas nem sempre o que se ensina e se faz \u00e9 do Esp\u00edrito. \u00c9 costume pregar uma soltura total, sem qualquer tipo de questionamento, para n\u00e3o entristecer nem abafar o Esp\u00edrito. N\u00e3o \u00e9 bem assim que a Palavra de Deus nos ensina. Por causa de toda essa ingenuidade e do sacrif\u00edcio da raz\u00e3o, n\u00e3o poucos movimentos reavivalistas t\u00eam dado em nada, quando se n\u00e3o corrompem a ponto de criar movimentos her\u00e9ticos. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que Paulo fala em<em> \u201cretorno \u00e0 sensatez\u201d<\/em> (2 Tm 2.26) e recomenda o bom senso (1 Tm 2.9-15). \u00c9 preciso receber a palavra pregada \u201ccom toda a avidez\u201d, mas tamb\u00e9m com a cautela dos bereanos, que examinavam <em>\u201cas Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram de fato assim\u201d<\/em> (At 17.11). John Mackay lembra que \u201ca entrega sem reflex\u00e3o \u00e9 fanatismo\u201d, mas reflex\u00e3o sem entrega \u00e9 a paralisia de toda a\u00e7\u00e3o\u201d. Embora inspirado pelo Esp\u00edrito para produzir o terceiro Evangelho, Lucas empreendeu uma narra\u00e7\u00e3o coordenada e em ordem da vida de Jesus, depois de ouvir as testemunhas oculares e \u201cdepois de acurada investiga\u00e7\u00e3o de tudo desde sua origem\u201d (Lc 1.1-4). Em seu livro \u201cCrer \u00e9 Tamb\u00e9m Pensar\u201d, John Stott cita o respeit\u00e1vel Lloyd Jones: \u201cA f\u00e9 \u00e9 basicamente o ato de pensar, e todo problema de quem tem uma f\u00e9 pequena \u00e9 n\u00e3o pensar. A B\u00edblia est\u00e1 repleta de l\u00f3gica, e, de forma alguma, devemos pensar que a f\u00e9 seja algo meramente m\u00edstico. A f\u00e9 crist\u00e3 \u00e9, em sua ess\u00eancia, o ato de pensar. \u00c9 insistir em pensar quando tudo parece estar determinado a nos oprimir e a nos p\u00f4r por terra, intelectualmente falando.\u201d<\/p>\n<p><strong>1. O risco da super-espiritualidade<\/strong><\/p>\n<p>Francis Schaeffer chama de super-espiritualidade a tend\u00eancia de alguns avivados em desprezar o intelecto, a apologia, o corpo e a cultura, para dar \u00eanfase ao espetacular e ao extraordin\u00e1rio. Para ele, \u201cn\u00f3s estamos no meio de outra luta tit\u00e2nica entre a falsa espiritualidade e a f\u00e9 crist\u00e3 equilibrada\u201d. J\u00e1 que um extremo sempre provoca outro extremo em dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria, um dos perigos da super-espiritualidade \u00e9 que ela pode provocar uma valoriza\u00e7\u00e3o exagerada do intelecto.<\/p>\n<p><strong>2. O risco da \u00eanfase demasiada em apari\u00e7\u00f5es e vis\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Quase todas as seitas her\u00e9ticas tiveram sua origem em vis\u00f5es espetaculares. O islamismo, a maior religi\u00e3o do mundo depois do cristianismo e a que mais cresce, \u00e9 fruto das vis\u00f5es de Maom\u00e9 por volta do ano 600. A mariologia cat\u00f3lica romana repousa em grande parte sobre as vis\u00f5es de Lourdes (1858), F\u00e1tima (1918) e Meljugorje (1981).<\/p>\n<p><strong>3. O risco da sede demasiada de milagres<\/strong><\/p>\n<p>Milagres de cura e outros sempre aconteceram antes de Cristo, durante o minist\u00e9rio de Jesus e dos ap\u00f3stolos e depois de Cristo. Mas n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos meios de se chegar \u00e0 verdade, porque eles existem tamb\u00e9m fora do ambiente crist\u00e3o, como a hist\u00f3ria b\u00edblica revela (\u00cax 7.11 e 22; 8.7) e como Jesus mesmo ensina (Mt 7.21-23). O Apocalipse registra que a besta que emerge da terra curar\u00e1 a ferida mortal da besta que emerge do mar, far\u00e1 descer fogo do c\u00e9u \u00e0 terra e comunicar\u00e1 f\u00f4lego \u00e0 imagem da besta (Ap 13.11-18). H\u00e1 caso de curas verdadeiras no protestantismo hist\u00f3rico, no protestantismo pentecostal, no catolicismo tradicional, na Renova\u00e7\u00e3o Carism\u00e1tica Cat\u00f3lica e no meio n\u00e3o crist\u00e3o. A revista \u201cNewsweek\u201d de 1\u00ba de maio de 2000 relata a ocorr\u00eancia de milagres e curas no catolicismo, no pentecostalismo, no juda\u00edsmo, no islamismo, no hindu\u00edsmo e no budismo. O Papa acaba de ir a Portugal para agradecer \u00e0 virgem de F\u00e1tima o milagre que o teria salvo do atentado de 1981. O jornal \u201cGotas de Luz\u201d, da Igreja Messi\u00e2nica Mundial do Brasil, publica o testemunho do m\u00e9dico angolano que se tornou messi\u00e2nico por ter sido curado de grave doen\u00e7a em novembro de 1999.<\/p>\n<p><strong>4. O risco de demasiada depend\u00eancia de emo\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Emo\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 pecado. \u00c9 uma rea\u00e7\u00e3o natural frente ao prazer e ao desprazer. O cristianismo \u00e9 uma fonte de emo\u00e7\u00f5es. H\u00e1 uma por\u00e7\u00e3o enorme de experi\u00eancias que provocam emo\u00e7\u00f5es: a descoberta de Deus, a aceita\u00e7\u00e3o do evangelho, o perd\u00e3o de pecados, a pr\u00e1tica da comunh\u00e3o com Deus e com os irm\u00e3os, o fruto do Esp\u00edrito (amor, alegria, paz etc.), a pr\u00e1tica do desabafo espiritual, o exerc\u00edcio da esperan\u00e7a e assim por diante. O verdadeiro crist\u00e3o n\u00e3o \u00e9 seco. Ele vibra, alegra-se e tamb\u00e9m chora. Todavia, o crente n\u00e3o deve ser movido a emo\u00e7\u00f5es. As emo\u00e7\u00f5es falham muitas vezes. S\u00e3o circunstanciais. Dependem com freq\u00fc\u00eancia de um belo dia, de um bom estado de sa\u00fade, de companhia, de boas not\u00edcias. A vida vitoriosa n\u00e3o pode depender das emo\u00e7\u00f5es. Ela precisa depender da autoridade da Palavra de Deus. Se as emo\u00e7\u00f5es falham, a Palavra n\u00e3o falha, pois quem faz as promessas \u00e9 <em>\u201co Deus que n\u00e3o pode mentir\u201d<\/em> (Tt 1.2). O crente movido a emo\u00e7\u00f5es \u00e9 vol\u00favel, inst\u00e1vel e v\u00edtima de arroubos e depress\u00f5es constantes. A ordem certa, como diz F. B. Meyer, \u00e9 fato (o que a B\u00edblia diz), f\u00e9 (apropria\u00e7\u00e3o das promessas de Deus) e emo\u00e7\u00f5es (conseq\u00fc\u00eancia natural, imediata ou posterior). N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio, por exemplo, esperar uma agrad\u00e1vel sensa\u00e7\u00e3o para se ter certeza do perd\u00e3o depois da confiss\u00e3o de pecado. Basta valer-se da promessa de que \u201cse confessarmos os nossos pecados, Ele \u00e9 fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injusti\u00e7a\u201d (1 Jo 1.9). Colocar o sentir antes do crer nas promessas de Deus \u00e9 o mesmo que tentar construir o \u00faltimo andar de um edif\u00edcio sem ter lan\u00e7ado os alicerces. O ambiente carregado de emo\u00e7\u00f5es, \u00e0s vezes premeditada e artificialmente, facilita o reavivamento, mas n\u00e3o lhe d\u00e1 profundidade nem base teol\u00f3gica suficiente.<\/p>\n<p><strong>5. O risco do fanatismo<\/strong><\/p>\n<p>A dist\u00e2ncia entre o zelo e o fanatismo n\u00e3o \u00e9 muito grande, mas a diferen\u00e7a entre um e outro \u00e9 gigantesca. O Esp\u00edrito nos leva ao zelo, ao entusiasmo, \u00e0 plena submiss\u00e3o, \u00e0 devo\u00e7\u00e3o total, ao desprendimento, mas nunca ao fanatismo. O fanatismo depende de ren\u00fancia do bom senso e do equil\u00edbrio religioso. Winston Churchill dizia que um fan\u00e1tico \u201c\u00e9 um sujeito que n\u00e3o muda de id\u00e9ia nem de assunto\u201d. O diabo detesta o zelo dos crist\u00e3os, mas adora o seu fanatismo. O fanatismo destr\u00f3i anos inteiros de servi\u00e7o abnegado, provoca trag\u00e9dia, morte e esc\u00e2ndalo. O caminho que leva \u00e0 explos\u00e3o do fanatismo \u00e9 sutil, est\u00e1 coberto de peles de ovelhas. Por causa do fanatismo religioso, milh\u00f5es t\u00eam se afastado de vez da f\u00e9 crist\u00e3, horrorizados, aturdidos, enojados e revoltados. Paulo assevera que <em>\u201cDeus n\u00e3o nos t\u00eam dado esp\u00edrito de covardia, mas de poder, de amor e de modera\u00e7\u00e3o\u201d<\/em> (2 Tm 1.7). Repetidas vezes, Deus ordena ao seu povo (Dt 5.32; 17.11, 20; 28.14) e aos seus l\u00edderes (Js 1.17) que n\u00e3o se desviem \u201cnem para a direita nem para a esquerda\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1) Avivamento &#8211; O que \u00e9? Reavivamento \u00e9 o sopro de Deus para tirar a poeira que foi acumulada no decurso dos anos, no per\u00edodo de tempo compreendido entre o \u00faltimo avivamento e o momento atual. 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